sábado, 15 de dezembro de 2012

Homicídios de Jovens nos Territórios da Paz de São José dos Pinhais - 2010


Mortes Violentas – 2010 – Crimes Curitiba – (15 – 24 anos) 
            Grande Borda do Campo - 11  
           Grande Guatupê - 20

Total:  31
 
2010
idade
sexo
bairro
causa morte
16
M
J. PRIMAVERA
TIROS DE ASS
48
M
AFONSO PENA
MACHADADAS
20
M
IZAURA
TIROS
16
M
VILA INÁ
TIROS
46
M
INDEPENDECIA
PEDRADAS
32
M
C. RIO GRANDE
TIROS
17
M
ALEGRIA
TIROS
9
M
IPÊ
TIROS
34
F
IPÊ
TIROS
26
M
VILA INÁ
FACADAS
40
M
IPÊ
TIROS
41
M
BORDA DO CAMPO
TIROS COM PM
17
M
CENTRO
TIROS COM PM
26
M
CENTRO
TIROS
25
M
IPÊ
AGREDIDO
32
M
BORDA DO CAMPO
TIROS
43
M
ITALIA
TIROS
16
M
IPÊ
AGREDIDO
36
M
GUATUPÊ
TIROS
21
M
CIDADE JARDIM
TIROS
27
M
GUATUPÊ
TIROS
26
M
GUATUPÊ
TIROS
25
M
JUREMA
TIROS
46
M
IPÊ
TIROS
33
M
IPÊ
10 TIROS
32
M
INDEPENDECIA
TIROS
38
M
GUATUPÊ
AGREDIDO
34
M
C. MALHADA
TIROS
25
M
QUISSISSANA
FACADAS
21
M
QUISSISSANA
FACADAS
53
M
CENTRO
PAULADAS
28
M
J. NEMARY
TIROS
17
M
ALEGRIA
TIROS
50
M
ITALIA
TIROS
26
M
JUREMA
TIROS COM PM
37
M
GUATUPÊ
TIROS
21
F
J. CARMEM
TIROS
19
M
C.RIO GRANDE
TIROS
28
M
C. RIO GRANDE
TIROS
23
M
C.RIO GRANDE
TIROS
34
M
ALEGRIA
TIROS
70
M
BORDA DO CAMPO
MACHADADAS
15
F
SAO MARCOS
TIROS
25
M
CENTRO
TIROS
19
M
CIDADE JARDIM
TIROS
15
M
IPÊ
TIROS
29
M
MERGULHÃO
FACADAS
34
M
VILA INÁ
TIROS
42
M
NI
TIROS
19
M
BORDA DO CAMPO
TIROS
20
M
BOM JESUS
10 TIROS
20
M
AFONSO PENA
11 TIROS
16
M
GUATUPÊ
10 TIROS
25
M
GUATUPÊ
TIROS
18
M
IPÊ
TIROS
19
M
IPÊ
TIROS
18
M
ITALIA
TIROS
30
M
ITALIA
FACADAS
21
M
ALEGRIA
AGREDIDO
28
M
ELDORADO
TIROS
21
M
BORDA DO CAMPO
TIROS
21
M
CENTRO
TIROS
23
M
CENTRO
TIROS
20
M
AFONSO PENA
10 TIROS
22
M
CACHOEIRA
TIROS
39
M
J. BRASIL
TIROS
47
M
CRUZEIRO
TIROS
25
M
CENTRO
TIROS
36
M
CRUZEIRO
TIROS
28
M
CRUZEIRO
TIROS
15
M
CRUZEIRO
TIROS
22
M
SÃO JUDAS TADEU
TIROS
15
M
BORDA DO CAMPO
TIROS
26
M
AVIAÇÃO
TIROS
14
M
BORDA DO CAMPO
TIROS
21
M
VILA BRAGA
TIROS
17
M
INDEPENDECIA
AGREDIDO
31
M
INDEPENDECIA
TIROS
17
M
SAO MARCOS
TIROS
23
M
CRUZEIRO
TIROS
28
M
ALEGRIA
10 TIROS
21
M
PRIMAVERA
TIROS
22
M
ALVORADA
10 TIROS
18
M
ITALIA
TIROS
16
M
IPÊ
TIROS
24
M
IZAURA
CARBONIZADO
21
M
GUATUPÊ
TIROS
32
F
BORDA DO CAMPO
TIROS
55
M
BORDA DO CAMPO
TIROS DE ASS
20
F
COLONIA ACIOLI
FACADAS
24
M
RIO PEQUENO
TIROS
25
M
C. RIO GRANDE
TIROS
22
M
IPÊ
TIROS
36
M
CIDADE JARDIM
AGREDIDO
61
M
IPE
TIROS
13
M
CIDADE JARDIM
TIROS ACIDENTAIS
31
M
CAMPO PEQUENO
TIROS
33
M
SAO MARCOS
GARRAFADAS
30
M
AFONSO PENA
TIROS
32
M
BORDA DO CAMPO
TIROS
19
M
CENTRO
TIROS COM PM
22
M
CENTRO
TIROS COM PM
25
M
CENTRO
TIROS COM PM
47
M
INDEPENDECIA
TIROS
28
M
VILA INÁ
TIROS
55
M
BORDA DO CAMPO
PEDRADAS
17
M
J. FABIOLA
TIROS
24
M
CIDADE JARDIM
15 TIROS
56
M
CRUZEIRO
TIROS
20
M
GUATUPÊ
TIROS
23
F
IPE
FACADAS
18
M
INDEPENDECIA
ENTERRADO
36
M
OURO FINO
TIROS
16
M
JUREMA
TIROS
19
F
COLONIA ACIOLI
PEDRADAS
22
M
BORDA DO CAMPO
PAULADAS
19
M
RIO PEQUENO
TIROS
19
F
OURO FINO
TIROS
39
F
BORDA DO CAMPO
TIROS
31
F
AGUAS BELAS
TIROS
18
M
BORDA DO CAMPO
DESFACELAÇÃO
21
M
SAO MARCOS
TIROS COM PM
35
M
SAO MARCOS
TIROS
37
M
AGARAÚ
TIROS
28
M
TAQUARAL
TIROS
18
M
SAO MARCOS
25 TIROS
34
M
GUATUPÊ
DECOMPOSIÇÃO
18
M
RIO PEQUENO
TIROS
28
M
JARDIM CRISTAL
TIROS DE PM
33
M
RIACHO DOCE
TIROS
22
M
IPE
TIROS
66
M
ALEGRIA
TIROS
51
M
SAO MARCOS
10 TIROS
19
M
INDEPENDECIA
TIROS
37
M
BARRO PRETO
TIROS DE PM
17
M
RIO PEQUENO
TIROS
20
M
IPE
TIROS COM PM
34
M
AFONSO PENA
TIROS
37
M
VILA NOVA
TIROS
37
M
CIDADE JARDIM
FACADAS
28
M
BORDA DO CAMPO
15 TIROS
NI
M
INDEPENDECIA
TIROS
43
M
SAO MARCOS
TIROS
19
M
SAO MARCOS
TIROS
30
M
C. RIO GRANDE
TIROS
24
M
OURO FINO
TIROS
22
M
J. AEROPORTO
TIROS
25
M
QUISSISSANA
TIROS
34
M
IPE
TIROS
21
M
J. CARMEM
TIROS
23
M
AFONSO PENA
TIROS COM PM
28
M
ALVORADA
10 TIROS
22
M
NI
FACADAS
30
M
AGARAÚ
TIROS
68
M
GUATUPÊ
TIROS
22
M (T)
AFONSO PENA
PEDRADAS
17
M
BORDA DO CAMPO
TIROS
24
M
J. SRA FATIMA
TIROS
46
M
GUATUPÊ
TIROS
26
M
J. VENEZA
TIROS
19
M
BORDA DO CAMPO
TIROS
21
M
CENTRO
TIROS
35
M
CRUZEIRO
TIROS
27
M
AFONSO PENA
TIROS
27
M
BORDA DO CAMPO
AGREDIDO
11
M
ALVORADA
TIROS
20
M
LUBIANOPOLIS
NI
26
M
IPE
TIROS
20
M
SAO MARCOS
TIROS
16
M
SAO MARCOS
TIROS
25
M
BORDA DO CAMPO
20 TIROS
35
M
AFONSO PENA
TIROS
56
F
JARDIM CRISTAL
TIROS
18
M
C. MALHADA
TIROS
20
M
ALEGRIA
TIROS
22
M
BORDA DO CAMPO
10 TIROS
24
M
C. RIO GRANDE
TIROS
14
M
C. RIO GRANDE
TIROS
18
M
ALEGRIA
TIROS
55
M
BORDA DO CAMPO
ESTRANGULAMENTO
21
M
J. SANTA RITA
10 TIROS
33
M
GUATUPÊ
TIROS COM PM
22
M
BORDA DO CAMPO
TIROS
27
M
SAO DOMINGOS
TIROS
23
M
AGUAS BELAS
TIROS
48
M
CRUZEIRO
10 TIROS
22
M
C. RIO GRANDE
TIROS
30
M
QUISSISSANA
PEDRADAS
16
M
SAO MARCOS
TIROS




quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Falácias


            O Brasil está mais uma vez diante de sua própria incapacidade de enfrentar as questões como elas de fato são.
Refiro-me à questão da distribuição dos royalties do petróleo do pré-sal.
          Pessoas de grande inteligência, e, mais, ocupando postos de grande responsabilidade, se utilizam de argumentos visivelmente frágeis – quando não falsos, mesmo – que não conseguem disfarçar minimamente os interesses regionalistas, corporativistas e, portanto, ilegítimos.
Às vezes até irrita. Fica um lenga-lenga sem fim. Ninguém vai ao ponto. Fingem que não existe.
Primeiro: que conversa é essa de “estados e municípios produtores”? Produtores de quê, cara-pálida? De petróleo é que não é.
A plataforma do pré-sal está localizada em alto-mar. E a exploração é feita pela Petrobras, ou empresas por ela concessionadas.
O Estado federado não entra com nada! E nem o município.
Não “produzem”, portanto, uma única gota de óleo.
Segundo: o petróleo é recurso do subsolo que, constitucionalmente, pertence à União e, portanto, a todo o povo brasileiro!
Terceiro: esses Estados e municípios não perdem absolutamente nada com a exploração! Aliás, eles ganham. Em razão de sua maior proximidade geográfica com os locais de exploração, fica melhor, mais econômico e mais prático que os serviços terrestres de apoio sejam ali realizados.
Ora, isso é atividade econômica, geradora automática de trabalho e renda para a população! É quase um mercado cativo. Por qual razão deveriam eles receberem ainda mais?
Ninguém jamais discutiu o cabimento dos royalties pagos ao Paraná e aos municípios do seu extremo oeste por conta da hidrelétrica de Itaipu. Mas isso porque seu território foi inundado! Essas unidades perderam fonte de recursos.
            O que mesmo que perdem o Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo com a exploração, pela União, de um recurso que pertence à União, em águas profundas localizadas a centenas de quilômetros de seu território?
            Nada!
            Quem sabe nos ajuda o pai-dos-burros.
            As várias acepções de “produtor”, segundo o Aurélio, são:
1. Autor; 2. Pessoa ou entidade que promove produções industriais ou naturais; 3. Lavrador, fabricante; 4. Pessoa ou empresa que reúne o conjunto dos elementos necessários (meios financeiros, recrutamento do pessoal, etc.)
Onde mesmo se enquadram aqueles Estados? São autores do petróleo? Não. São eles que promovem a produção industrial ou natural dele? Não. São lavradores? Não. Fabricantes? Não. São eles que fornecem o conjunto dos elementos necessários à produção, tais como meios financeiros, mão-de-obra, etc.? Não.
Então, como é que se intitulam produtores?
            E royalties?
São uma compensação financeira. Mas o que, exatamente, há para compensar aos “estados e municípios produtores” se eles, como já vimos, não sofrem nenhum prejuízo?
            Segundo a enciclopédia virtual Wikipedia, “royalty é o termo utilizado para designar a importância paga ao detentor ou proprietário ou um território, recurso natural, produto, marca, patente de produto, processo de produção, ou obra original, pelos direitos de exploração, uso, distribuição ou comercialização do referido produto ou tecnologia.”
            Ora, não há dúvida que o detentor do produto objeto da discussão, o petróleo, é a União. Por qual razão deve pagar royalties a outrem?
Há, entretanto, uma variável que não pode ser menosprezada. É no eixo Rio-São Paulo (dois dos auto-incensados “estados-produtores” que agora se dizem prejudicados) que está a totalidade dos mais poderosos veículos da imprensa brasileira, aqueles que, através de todo tipo de manipulação, constroem nas nossas mentes uma enorme variedade de mentiras travestidas de verdades.
            E eles são bairristas. Serão beneficiados diretamente se a injustiça que já vem sendo praticada há anos se perpetuar. Então nos impingiram, sem qualquer escrúpulo, esse conceito de estado-produtor. Utilizam-se da expressão naturalmente, acriticamente, como se fosse uma verdade divinamente estabelecida e indiscutível. E, de tanto repetirem a mentira, à Goebbels, fazem com que seja tomada por verdade.
            E lá vai o Brasil, a aceitá-la assim, também acriticamente.
            Mas continua sendo mentira. Não existem estados e municípios produtores de petróleo. Só a União é produtora de petróleo.
O resto é balela.
Os outros argumentos usados são igualmente frouxos.
Diz o governador do Rio que o estado dele vai perder bilhões. Digo eu: não vai perder nada. Absolutamente nada. Vai sim é deixar de ganhar. O que é muitíssimo diferente.
E vai deixar de ganhar o que jamais deveria ter ganho. Não há o que reclamar, porque esse ganho é ilegal. Vem sendo auferido pelo Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo desde sabe-se lá quando, em prejuízo do resto do País. E, por isso mesmo, não deveria nunca ter sido assim. Como já vimos, nada justifica que o esses Estados ganhem e os demais não. Nem no passado, nem no presente e nem no futuro.
Vem daí mesmo a fragilidade da outra, e última, alegação, a de preservar contratos já assinados. Eles consagram uma situação ilegal. Contrariam o interesse público, corporificado na imensa maioria do povo brasileiro que não está recebendo a parte que lhe cabe neste bem que é de todos. Só essas duas razões já bastam e sobram, para torná-los ineficazes.
Por isso, rescindi-los unilateralmente é uma prerrogativa legal da Administração Pública.
            Dia desses vi na internet um texto postado por um cidadão de Minas Gerais, dificílimo de refutar. O Rio, São Paulo e o Espírito Santo terão mais direito do que o resto do país, sobre o petróleo, no mesmo momento em que Minas, desde sempre, e o Pará, mais recentemente, tiverem direito a ser indenizados pelo tanto de minério e de ouro que foram arrancados de seu chão – sim, de seu chão, e não do mar longínquo – ao longo da história.
            Vamos parar, portanto, de abobrinha. Se há algum argumento real, que aborde o núcleo da questão, que venha. Se há um argumento que refute, de maneira convincente, aqueles que aqui mencionei, que venha.
            Se não, vamos prosseguir com a História do Brasil, sem favorecimentos a quaisquer tipos de barões.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Israel, Judeus, Palestinos, Guerra.


Fazem alguns dias que explodiu uma nova crise no Oriente Médio, envolvendo Israel e os palestinos da Faixa de Gaza.
Como vocês devem saber, eu sou judeu. E, digo mais, com muito orgulho e convicção.
No entanto, minha posição em relação a esse conflito é um pouco heterodoxa, considerando essa condição. Então, tenho muita cautela em expô-la.
Acho, porém, que é chegado o momento. O noticiário e as redes sociais estão fervendo sobre o assunto, e, em verdade, as análises são quase sempre pouco mais do que pueris. Concepções previamente consolidadas (outro nome, vá lá, para preconceito) contaminam a imparcialidade e, às vezes, até mesmo a honestidade intelectual.
O que se vê é uma superficialidade para mim insuportável. Um maniqueísmo inadmissível. Como se estivéssemos diante de um grupo de mocinhos e bandidos, preto e branco sem nenhuma nuance.
Estes são totalmente bons e aqueles totalmente maus. Ora, se assim fosse, com todo o respeito, não estaríamos tratando de seres humanos, mas de robôs, ou, no máximo, de personagens de um desenho animado infantil.
Quem acompanha um pouquinho que seja da minha trajetória sabe que eu tenho o hábito de me posicionar. Tenho medo de altura, então não suporto ficar em cima do muro.
É questão de personalidade. E, se me permitem, penso que isto só faz bem a todo e qualquer debate, e que, se todos agissem assim o mundo seria melhor. Pelo menos é minha opinião.
Pois bem.
Hoje (20/11) pela manhã, no facebook, a discussão ameaçou descambar para o racismo, aquela simplificação primária e imbecil que generaliza tudo e não examina nada.
Então, pensei em dar a minha contribuição. Seja para desfazer este equívoco, que mistura alhos com bugalhos como simples caminho para fazer brotar o antissemitismo mais boçal, odioso e inaceitável, seja para fazer uma análise um pouco mais aprofundada, sob o meu ponto de vista, da situação.
Assim travei duas conversas naquela rede social. E acho que o conteúdo de ambas expressa de maneira bem razoável o meu pensamento.
Então, peço a você, meu paciente leitor neste humilde blog, permissão para transcrevê-las.
Aí vai:


I.

Minha dileta amiga Tania Baibich transcreveu no facebook uma conclamação do Partido Socialista de Israel, no sentido de que, ao invés de incursão terrestre a Gaza, fosse feita uma incursão às negociações.
Outro internauta comentou que sequer sabia que havia um partido socialista em Israel. Tania respondeu que, sendo esse país uma democracia, possui todas as tendências, seja de esquerda ou de direita.
Eis como o diálogo prosseguiu:

Marcelo Jugend:
Querida Tania. É verdade. Pena é que o povo israelense viva dividido e acabe colocando o verdadeiro poder na mão dos fanáticos e irracionais religiosos, que ficam de fiel da balança e sempre preferem - claro - a direita. E assim Israel vem sendo governado há décadas por ela - às vezes a mais extremista, às vezes a menos, mas sempre ela. E nós por aqui a nos alinharmos automaticamente, como se alternativa não houvesse. A verdade é que há enormes e inconfessáveis interesses geopolíticos por trás de todo esse "imbroglio". Não é um jogo de futebol, com um time "mocinho" para o qual vale tudo e um adversário "bandido" para o qual não vale nada. É um jogo de xadrez com vários "players"´, para todos os quais o poder vale muito mais do que vidas humanas. São lideranças cegas em Israel, entre os Palestinos, e, o que é muito pior, em várias outras potências da região e, mesmo de fora dela. Quem paga o pato é, como sempre, o povo. Israelense e palestino, no caso, com enorme e sensível desvantagem para este último, graças à besta-fera que comanda Israel e retalia com monstruosa desproporcionalidade (com fins inconfessáveis, inclusive eleitorais). O fato é que toda a situação geopolítica regional mudou com a primavera árabe. Hoje o Egito, não mais tão laico, não está mais entre os aliados confiáveis de Israel. A Síria, um adversário antes previsível, está em vias de ir para o mesmo caminho, e nem mesmo a Jordânia possui a desejada estabilidade. O Irã, com aspirações de hegemonia regional, joga um papel decisivo armando o Hamas, a União Europeia, vítima de seus próprios problemas, lava as mãos e os EUA já não estão mais tão fortes como antes. A incerteza, para Israel, aumentou de forma exponencial. Só que, como não poderia deixar de ser, os seus brucutus não sabem lidar com essa situação senão com a brutalidade de sempre. É aí que entra a razão, coisa que lhes falta. A nova configuração geopolítica, regional e mundial, vai se mostrando mais desfavorável. Mais do mesmo, como sempre, não vai resolver nada. "É o tempo", como disse sabiamente Fernando Pessoa, "da travessia. E se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." É o tempo, querida Tânia, de rever o comportamento que nunca deu certo. É o tempo de efetivamente contemplar a alternativa da negociação. Mas não apenas para a instauração de mais uma paz armada, mas de uma real convivência pacífica. É o tempo, digo eu, de pensar em dois estados para dois povos. Quem é honesto de verdade sabe que esta é a saída. E eu tenho absoluta certeza de que a iniciativa deve ser israelense, até porque é a potência dominante da região. Confrontados com isso, não há dúvida de que os radicais e fanáticos palestinos ficarão sem discurso, e, se recusarem, perderão o apoio que possuem entre a população civil. Sem ele, babau.

Caro Marcelo Jugend: parabenizo pelo seu preciso, equilibrado e elegante texto. Subscrevo inteiramente as suas palavras. É exatamente essa a interpretação que deve prevalecer!
Marcelito querido, Marcelo Jugend, como bem disse o Dennison teu texto é elegante eu eu complemento, feito tu. Sabemos bem que direita com teocracia sempre, com o perdão do termo, fede, e que entendíamos, nós que compartilhamos do pensamento da esquerda israelense, que a única saída viável teria sido, em tempos de saída de Gaza, uma saída já de convivência e o caminho para dois estados (não me iludo mais com paz possível e sim divórcio possível), mas que isto não ocorreu. Sem dúvida a direita que tem tomado conta da Europa e de lá prejudica, via nacionalismos e outros ismos as relações. Entretanto, amigo querido, os brutamontes não são privilégio de um lado ou do outro, como pensa o Dennison de Oliveira, pelo menos no que eu compreendo do que se afirma sempre.

 Epa,não terminara, Marcelo Jugende e Dennison de Oliveira e demais amigos face leitores, daí, chegados aonde chegamos, afirmo sem desejar me esconder: DESEJO PAZ NEGOCIADA, DOIS ESTADOS MAS ABOMINO A MANIQUEÍSTA ANÁLISE, EM GERAL DA ESQUERDA, DE QUE HÁ UM LADO DIABO E OUTRO ANJO. Freud me ensinou, lá no XIX que o homem é o lobo do homem e sigo entendendo assim.

 Não, os brutamontes não estão só de um lado, e, se eu dei a entender que penso assim, então me desculpe. Até porque há também um enorme fanatismo religioso - e sua consequente bestialidade irracional - também do outro lado. A diferença, que para mim faz uma enorme diferença, é o poder de fogo. A retaliação israelense, monstruosamente desproporcional. Mas, atitude por atitude, intenção por intenção, não há anjos nem demônios. Enquanto escrevia isso, vi tua nova postagem, dizendo que quem faz isso em geral é a esquerda. Não é o que tenho visto no face. Nesse caso, também ocorre o bilateralismo. Há os maniqueístas de plantão dos dois lados. O anjo e o demônio variam conforme aquele no qual você está.

 E, Denison, obrigado. Gentil da tua parte. Me envaidece.

Marcelo Jugend tens toda a razão, os da esquerda, mtas vezes são os que demonizam Israel e os da direita são os que, mtas vezes, demonizam os palestinos. Me expressei mal. Que dor estas mães, pais, filhos, amantes e amigos de ambos os lados. beijos. T^/Caçula

Ei Marcelo Jugend sobre a divisão política creio que é parte da democracia, infelizmente nós, nadamos na contramão em geral, aonde quer que estejamos...
Q bom poder trocar idéias e se informar com gente tão inteligente, viva a internet!:) Mas voltando a questão de COMO acabar com o conflito: o programa sintetizado pela Tânia Maria Baibich é inteiramente racional (PAZ NEGOCIADA, DOIS ESTADOS). Mas qual a chance de devolver as terras ocupadas na guerra de 1967 se Israel não cessa de expandir os assentamentos ilegais??? Eis o X da questão...

A política de assentamentos não é do povo israelense, mas de seu governo fascista, que precisa dela para manter o apoio dos religiosos. É que estes, como é da característica dos fanáticos, não possuem qualquer compromisso com a realidade, e analisam a situação a partir de um suposto território que teria sido destinado a eles pela Bíblia. Então, fodam-se os árabes, os palestinos, e foda-se todo mundo, eu tenho direito à terra deles porque Deus me deu. E pronto.

Realmente, Marcelo Jugend e Dennison de Oliveira poder discutir desarmado com gente do quilate de vcs é um privilégio. Os assentamentos são um câncer, como o são os doidos de todos os lados. Mas, nos lembremos tb., discutir estes temas aqui no nosso bem bom é uma coisa, lá o pessoal tá enterrando seus mortos... UI, ODEIO AS GUERRAS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! bjs




II.

Este outro diálogo foi iniciado em um blog político, que comentava a situação no Oriente Médio. Um internauta de nome Zeno José Otto postou um comentário que a meu ver era francamente antissemita, confundindo aquela situação com as posturas do povo judeu em geral.
Foi assim:

Zeno:
É bom todos lerem o Protocolo dos Sábios de Sião. As criticas a essa obra acusam que não se sabe quem o escreveu. Quem o escreveu não tem importância. O que é bom conferir é que os judeus o adotaram. Quer ler? http://holywar.org/prot/port/portugal.htm

Marcelo:
Ô, Zeno, não te conheço, nem você a mim. Sou judeu, tenho uma posição independente e diferenciada em relação a toda a situação no Oriente Médio. Sou crítico antigo da extrema direita que governa Israel graças a uma aliança espúria com religiosos fanáticos e irracionais (aliás, TODOS os religiosos fanáticos são irracionais). Mas alto lá. O problema dos protocolos dos sábios do Sião não é ser apócrifo. É seu conteúdo, rigorosamente antissemita. Você recomendar a leitura, e, pior ainda, dizer que os judeus o adotaram faz de você um antissemita. E isso, velho, não tem absolutamente nada a ver com o que está ocorrendo agora entre Israel e Palestinos. Este é um problema geopolítico sério e complicado, envolvendo intransigências mútuas cuja reversão não interessa a lideranças cegas de ambos os lados. Quando você faz uma ignorância dessas, uma verdadeira imbecilidade, você inclusive faz o jogo dos piores sionistas, que insistem em dizer o absurdo de que anti-sionismo e antissemitismo são a mesma coisa. Cuidado, companheiro, com o caminho que você está trilhando. Não ajuda nada, e coloca você na pior de todas as posições, a de racista.

Zeno:
Essa é a sua opinião. Eu me considero anti-racistas. Não sou anti-semita nem semita, nem sionista. Mas a comparação do conteúdo com a realidade é dificil negar. Eu gostaria que não fosse assim e Israel não fizesse o que está fazendo. Mas está fazendo e não respeita a opinião de ninguém só dos Estados Unidos (Tio Samuel).

Zeno:
Você vai precisar ser muito mais específico. Por exemplo o que? Os judeus querem dominar o mundo? Há uma articulação entre nós para subjugar todos os povos? Pra mim não contaram. Será que sou menos judeu? Ou indigno da conspiração? De qualquer modo, eu não participo. Ou é que controlamos o dinheiro? Hein? Como é que você pode sequer insinuar que atitudes tomadas por um governo que nem mesmo representa a maioria do povo israelense (o Netaniahu, um fascista dos piores, teve menos votos, e, para governar, aliou-se aos religiosos fanáticos) representam a totalidade do que pensa ou como age o povo judeu como um todo? Desculpe, mas a generalização é mesmo uma imbecilidade. Não existe nenhum comportamento, previsto no ridículo texto que você quer impingir, ou em qualquer outro, que possa ser imputado a todo um grupo de pessoas. Ainda mais esse, um grupo enorme, imenso e totalmente heterogêneo. Como bem disse uma amiga minha, tentar homogeneizar seres humanos é tratá-los como não humanos. Deixe, por favor, de ser simplório. Não me nivele ao Netaniahu, nem a seus asseclas, e muito menos aos fanáticos religiosos ortodoxos, todos eles judeus como eu. O único que nos une é um passado cultural milenar, e, mesmo assim, cada um de nós o enxerga e interpreta de maneira totalmente diferente. Não é apenas uma questão de opinião, me perdoe. Quando você diz "os judeus" adotaram este ou aquele comportamento, e os inclui como um todo nas nojeiras que estão no texto por você recomendado, você está se dirigindo também a mim, individualmente. E me ofendendo pessoalmente. Então, desculpe, mas anti-racista você não é. Pelo contrário.

Zeno:
"Antes de mais nada, meus parabéns!!! Você se expos e assumiu suas convicções que são quase as minhas. Mas você tem que concordar que essa maioria do povo judeu que não concorda com esse governo de Israel, está em cima do muro. Não vejo nenhum grandes movimentos contra. Me faz pensar que deixam o Bibi fazer o trabalho sujo e, se tudo der certo "eu sou judeu". Se não der "sempre fui contra". Você que pertence a comunidade judia sensata, humana e pacífica, deveria despertar essa maioria silenciosa. Do contrário temos todo o direito de pensar que quem cala consente. A minha intenção é provocar essa maioria e usei a única ferramenta que disponho. Deu certo com você. Desculpe. Mas você faz parte da comunidade judia, você pode. Eu poderia ficar calado assistindo diariamente essa carnificina. Mas o "jus esperniandis" existe e eu, como usei. Pense bem. Não dá pra ficar sem fazer nada. O bandido de tudo que estamos assistindo não sou eu. Aponte sua arma em outra direção, compadre. Eu sou apenas uma pequena consequência. A origem está lá na terra prometida."

Ao final da conversa, após eu informar que há sim uma dissidência entre os judeus, dentro e fora de Israel, e que ela vem crescendo, reiterei minha crítica à postura dele, dizendo que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.
Ele insistiu que estava apenas provocando.