Prezados,
Permitam-me, hoje, falar um pouco de segurança pública em sentido mais amplo, a partir do que acontece aqui no meu cantinho.
Como diz aí embaixo, no meu perfil, sou um modesto estudioso dessa área, e atualmente “estou” gestor, nela, em São José dos Pinhais.
Como tal, é minha obrigação formular e desenvolver uma política de segurança para o município onde exerço essa função.
Procuro fazer isso desde o início, antes mesmo de tomar posse.
A política que estamos buscando aplicar está fundamentada em três grandes linhas mestras.
Quero abordar aqui uma delas. A participação popular.
Quem convive comigo no dia-a-dia sabe que para mim é quase como um mantra repetir que nenhum gestor ou mesmo grupo de gestores, por mais brilhante(s) que seja(m), por mais recursos de que disponha(m), obterá(ão) sucesso, sequer parcial, no que diz respeito à melhora em indicadores de violência e criminalidade, sem um participação decisiva e protagonista da comunidade.
Penso essa participação tanto na formulação das políticas quanto na priorização dos projetos e programas, na sua implantação, na fiscalização e, ainda, no monitoramento e correção de rumos.
Penso essa participação tanto na formulação das políticas quanto na priorização dos projetos e programas, na sua implantação, na fiscalização e, ainda, no monitoramento e correção de rumos.
É, portanto, primordial conscientizá-la, mobilizá-la, organizá-la, engajá-la nesse combate.
Não se trata de tarefa fácil. Pelo contrário.
Ao longo dos tempos a população brasileira foi sempre submetida a decisões que são tomadas de cima para baixo, como se houvessem grupos “iluminados” que soubessem o que é melhor para todos.
No geral, decidiram sempre o que era melhor para eles próprios...
Os resultados, como se vê, não são nenhuma brastemp.
Entretanto, o uso do cachimbo entortou a boca. Não faz parte da cultura, do senso comum, dos brasileiros, agir em defesa de seus direitos. Na realidade, tão eficaz foi o sistema aplicado, que nós em geral descremos da possibilidade de que isso possa produzir algum resultado.
Então, o caminho é árduo, longo e difícil. Trata-se, antes de tudo, de um trabalho de politização. É preciso reverter uma consciência longamente solidificada, e quebrar paradigmas solidamente estabelecidos.
Há, todavia, que começar.
E isso estamos fazendo.
Fomentamos a criação, em São José dos Pinhais, de Conselhos Comunitários de Segurança. Hoje são 31, espalhados por toda a cidade, tanto na área urbana como na rural, uns mais atuantes, outros nem tanto.
Ei, dirá você, meu(minha) abnegado(a) leitor(a), isso aqui é um blog de debate, de troca de ideias, não de propaganda política.
É verdade. Tem razão. Não fique zangado(a). Até porque a intenção não é, de modo algum, fazer propaganda. Nem mesmo é de me gabar de nada.
A ideia é apenas celebrar um acontecimento a meu ver importantíssimo.
São 36 meses, hoje, em que estamos trabalhando nisso. Tem sido um desafio. Vitórias, derrotas, erros, acertos, altos, baixos.
Não são poucos os momentos em que se parece estar pregando no deserto. Algumas lideranças heróicas compreendem a mensagem, mergulham de cabeça na luta, mas não conseguem respaldo em sua própria comunidade, quase sempre cética, quando não cínica.
Mesmo cientes de que este é apenas o início de um processo difícil, às vezes o desânimo quase toma conta.
E então, é nesse momento exato que surge o episódio que reacende, brilhante, a esperança.
Os Conselhos Comunitários Municipais de Segurança Cidadã – COMUNSEG`s de São José dos Pinhais, através de seus representantes eleitos livremente, obtiveram uma audiência junto ao Comandante Geral da Polícia Militar do Paraná, Coronel Roberson Bondaruk.
Nela, realizada ontem, dia 28/02/2012, entregaram, através de documento maduro e bem redigido, as preocupações, ansiedades e reivindicações da comunidade sãojoseense, que ampla e legitimamente representavam.
Receberam imediata e proveitosa resposta. Providências no sentido de atender aos pleitos foram imediatamente tomadas.
Todo esse processo ocorreu por iniciativa própria, autônoma, das lideranças comunitárias, sem qualquer interferência ou tutela. A população, de forma pioneira, percebe que possui, e é capaz de utilizar, ferramentas capazes de conduzir à melhoria de sua própria vida.
Confesso que senti uma ponta de orgulho. É uma pequena semente lançada, mostrando grande potencial.
A força da comunidade é como a do elefante. Seus algozes seguram-no a um pequeno toco de madeira por meio de frágil barbante. Se soubesse seu poder, libertar-se-ia com o mais leve safanão.
É bem possível que, de volta a seus rincões, e cacifadas pelos resultados que obtiveram, as lideranças venham a contar com maior confiança de seus vizinhos. E que eles então passem a participar mais dos próprios Conselhos. Isso ocorrendo, será mais um pequeno passo em direção à mobilização geral.
Eu, pessoalmente, sonho com o dia em que essa mobilização chegar.
Porque sei, de forma cristalina, que quando esse elefante se libertar, então estaremos muito mais próximos do Brasil que todos almejamos.